Sociologia Econômica na ANPOCS

Posted on 16 de Novembro de 2011 por

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Até o momento, tivemos três contribuições daqueles que atuam com Sociologia Econômica e circularam pela ANPOCS neste ano:

Gabriela Blanco apresentou na forma de pôster o trabalho  “Empresas inovadoras, cultura regional e agentes sociais hábeis: estudo de caso sobre a incubadora CELTA, Florianópolis, SC”.

Resumo:

Utilizando-me dos referenciais teóricos de Neil Fligstein sobre habilidade social e de Muller, Heraud e outros sobre cultura regional de inovação, procurei mostrar como em Florianópolis, o sucesso da incubadora, parque tecnológico e outras iniciativas existentes foi possível através da presença de atores sociais hábeis, como o Senhor Caspar Stemmer, que foram para a região na época de criação da UFSC e usufruíram de elevada “autonomia acadêmica” para estabelecer um modelo de ensino nas Engenharias fortemente ancorado na interação com empresas. Isto promoveu a difusão de uma cultura inovativa, que segue sendo compartilhada pelos atores envolvidos em iniciativas tecnológicas da região, que se apresenta como um fator relevante para a explicação do êxito inovativo regional. Neste sentido, houve um debate interessante entre os presentes no GT sobre a relevância de se considerar nas análises empreendidas sobre políticas públicas de inovação tecnológica, os aspectos culturais dos atores envolvidos. Pelo exemplo citado, que se trata de uma região sem tradição industrial, podemos inferir que pouco êxito poderia se esperar da implantação de incubadoras e parques tecnológicos como o simples cumprimento de uma agenda estatal.

Local: GT 37 – Universidade, Ciência, Inovação e Sociedade

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Marina de Souza Sartore apresentou oralmente o trabalho “O Contencioso Sociedade-ISE- Petrobrás”.

Resumo:

Esta comunicação contribui para uma maior investigação sobre as novas relações sociais que emergem entre finanças, empresas e sociedade a partir da inserção da sustentabilidade no mercado financeiro. O recorte analítico é o contencioso que envolveu a retirada da Companhia Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) da carteira de investimentos do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) em 2008. Este episódio teve grande repercussão na mídia de negócios colocando em evidência os atores sociais, seus discursos e suas disputas no espaço de interseção entre as finanças e a sustentabilidade. O trabalho recupera a cronologia do contencioso a partir da mídia de negócios e aponta para o surgimento de uma nova polarização entre finanças e empresários e novas formas de representação democrática que colocam em disputa a centralidade do mercado financeiro.

Local: GT 16 – Grupos Dirigentes e Estrutura de Poder

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Roberto Grün apresentou oralmente o trabalho “Os escândalos políticos no Brasil recente: dinâmicas culturais e sociais e efeitos na reprodução e recomposição das elites contemporâneas”

Resumo:

O número de escândalos recentes nos faz pensar que “o Brasil não tem jeito”. A sociologia talvez altere o senso comum. Proponho uma análise culturalista dos escândalos. Ela passa pela teoria internacional recente e fixa pontos que indicam as razões sociais mais complexas que os reproduzem sem cessar. Parto do exemplo brasileiro afirmando a hipótese da existência de um “campo do escândalo” e mostrando a lógica do seu funcionamento. O artefato heurístico mostra como os escândalos deflagram ou interagem com fenômenos de reprodução e recomposição de elites que o enraízam cada vez mais no substrato da cultura política e midiática tornando eles figuras perenes da paisagem e levando a crer que a eclosão de novos eventos dessa natureza é altamente provável.

Local: GT 16 – Grupos Dirigentes e Estrutura de Poder

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