Nova dica de filme: A roda da fortuna (1994)

Posted on 12 de Outubro de 2011 por

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*** The Hudsucker Proxy (A roda da Fortuna) (1994). Diretores: Coen Brothers. Atores: Tim Robbins, Jennifer Jason Leigh, Paul Newman entre outros.

Recomendo assistir este filme pois o filme trata de maneira satírica o mundo organizacional hierarquizado. Satírica, pois exagera em alguns estereótipos como o dos funcionários que trabalham na área de entrega de correspondências ou o próprio presidente da empresa. É a existência destes estereótipos que propicia uma análise de “tipos ideais” inserindo elementos que nos remetem aos tempos da administração clássica.

Norville chega à New York City em busca de emprego após graduar-se em administração em uma cidade do interior. Logo que chega, se depara com um balcão de empregos que anuncia vagas: todas exigindo experiência de trabalho.

Norville acaba sendo contratado como entregador de correspondências de uma grande empresa: a Hudsucker, situada em um prédio com incontáveis andares. Ao olhar através das paredes do prédio, tudo o que vemos é uma estrutura interna nos moldes da estrutura linear tratada por Fayol, pois os andares representam os níveis hierárquicos nos quais no topo se concentra o chefe e na base os funcionários mais “desqualificados”. Esta estrutura condiz com uma comunicação hierarquizada de cima para baixo e conseqüentemente, os entregadores de carta não têm acesso ao presidente da empresa.

Na sala em que os entregadores de carta trabalham, existe um velhinho que trabalha de maneira automática, assemelhando-se a um robô que “joga” as correspondências nos seus respectivos compartimentos para entrega. Isso nos remete à Taylor, relembrando-nos o tipo trabalhador-máquina que não precisa pensar muito para desempenhar a sua tarefa repetitiva.

Certo dia chega a carta azul, única maneira de “quebrar” a estrutura de comunicação da empresa e Norville é o escolhido para levá-la ao presidente da empresa.

Norville entra na sala do presidente que também é o estereótipo clássico de chefe: centralizador, impessoal, inalcançável.

Com o desenvolvimento da trama, Norville é levado à presidência da empresa devido a uma jogada financeira de seus diretores. Na trama, é impossível não nos lembrarmos da burocracia weberiana, pois o que aparece na tela é uma sucessão de papéis e carimbos (processos burocráticos) para que um produto chegue ao mercado.

Interessante também é a questão da necessidade de inovação no mundo empresarial que permeia os momentos finais da trama.

Não é um filme recente, mas para aqueles que nunca viram, vale a pena assistir tanto pela sátira ao mundo organizacional hierárquico como para vislumbrar um “modelo de empresa, modelo de mundo” (Grün, 1999) que foi paulatinamente sendo substituído por um modelo menos hierárquico e mais financeiro das organizações.

GRÜN, Roberto. Modelos de Empresa, Modelos de Mundo: sobre algumas características culturais da nova ordem econômica e da resistência a ela. RBCS. Vol 14, n. 41, 1999.

Contribuição de Marina de Souza Sartore

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